Caracterização dos Répteis


        Os répteis caracterizam-se por possuir uma pele seca e coberta de escamas, que podem ser de origem epidérmica ou placas dérmicas ossificadas. Esta pele muda de forma periódica (Barbadillo et al., 1999). Na pele podem ainda existir cromatóforos e melanócitos, responsáveis pela coloração, receptores de temperatura, pressão e tacto e também algumas glândulas secretoras de substâncias para defesa contra predadores ou para atracção sexual.

    Actualmente os répteis dividem-se em quatro ordens: tartarugas (Chelonia), escamosos (Squamata), crocodilos (Crocodylia) e tuataras (Rhynchocephalia). Existem cerca de 7140 espécies de répteis que se distribuem um pouco por todo o globo, excluindo a Antárctida e algumas ilhas como a Gronelândia. As duas ordens com menor representação em termos de espécies são os crocodilos (com 22 descritas) e as tuataras (apenas com 2 descritas); não ocorrem na Europa (Almeida et al., 2001).
    As tartarugas pertencem a um grupo que evoluiu independentemente dos outros répteis, e por isso com algumas diferenças. Possuem uma carapaça óssea e os dentes estão ausentes no estado adulto, sendo substituídos por um bico cortante. Esta ordem é composta por 260 espécies que vivem em habitats terrestres, dulçaquícolas e marinhos (Lanka & Vit, 1991; Almeida et al., 2001).
    Com cerca de 6850 espécies, os escamosos dividem-se ainda em três sub-ordens: os sáurios, os anfisbenídios e os ofídios. Os sáurios são tetrápodes, com as quatro patas mais ou menos desenvolvidas. Apresentam o pescoço diferenciado e uma cauda comprida. Por outro lado, os anfisbenídeos, associados a uma vida subterrânea, não possuem membros, os olhos degeneraram, apresentam as extremidades corporais arredondadas (o que facilita a locomoção nos dois sentidos) e o crânio é compacto e robusto, devido a alterações na conformação de alguns ossos. Nesta ordem apenas existe uma espécie na Europa, que está restrita à Península Ibérica, a cobra-cega.
    O grupo dos ofídios, também chamado grupo das serpentes, apresenta o corpo alongado, ausência de membros e os dentes são geralmente afiados e compridos (Almeida et al., 2001). A maioria dos répteis vive em ambiente terrestre, embora existam algumas espécies que sofreram modificações para se adaptarem ao meio aquático. A reprodução ocorre após um período de hibernação, durante as estações da Primavera e Verão. Os machos podem adquirir cores mais chamativas para as fêmeas e adoptam por vezes comportamentos territoriais com outros machos (Almeida et al., 2001).
    Na maioria dos répteis a fecundação é interna e pode ser retardada relativamente à cópula, uma vez que as fêmeas podem armazenar os espermatozóides durante algum tempo em receptáculos seminais (Barbadillo et al., 1999). A maior parte dos répteis são ovíparos, embora haja espécies, como por exemplo a víbora ou o licranço, que são ovovivíparos. As posturas podem ser de apenas um ovo (por exempo nas osgas) até algumas dezenas (como é o caso das tartarugas) que são depositados em terra, enterrados ou colocados por baixo de pedras, em cavidades naturais ou entre a vegetação. A temperatura influencia normalmente o sexo dos embriões. Os juvenis são idênticos aos adultos, diferindo no tamanho e proporções e, nalgumas espécies, na coloração (Almeida et al., 2001). A temperatura corporal, tal como nos anfíbios, também varia nos répteis e as suas actividades são reduzidas nos meses mais frios (hibernação) e por vezes também limitadas nos meses mais quentes de Verão (estivação). Para regular a temperatura expõem-se durante o dia aos raios solares ou aproveitam o calor que emana do substrato (Lanka & Vit, 1991; Almeida et al., 2001).
    São animais carnívoros e a sua alimentação varia desde insectos e invertebrados, até micromamíferos, anfíbios e por vezes outros répteis. Algumas espécies como os crocodilos ou as grandes serpentes podem inclusivé alimentar-se de mamíferos de dimensões razoáveis; as grandes serpentes normalmente imobilizam a presa pela constricção e/ou pela inoculação de veneno. Outros grupos como as tartarugas e a maioria dos grandes lagartos são herbívoros ou omnívoros. Para localizarem as presas, estes animais usam essencialmente a visão e o olfacto, e mais raramente a audição (Almeida et al., 2001).
    Os répteis são incluidos nas dietas de muitos vertebrados, destancando-se aves de rapina como a águia-cobreira e variados mamíferos carnívoros. Quanto aos mecanismos de defesa dos répteis, podem ser muito variados, adoptando comportamentos agressivos (emitem silvos, abrem a boca, incham o corpo e por vezes mordem). Podem ainda simular a morte, fugir, camuflar-se com o substrato ou por vezes adoptar comportamentos de algumas espécies venenosas. A autotomia é também utilizada, permitindo ao animal libertar a cauda, ficando esta a movimentar-se, distraindo o predador e possibilitando a fuga (Almeida et al., 2001).

     Na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo as espécies de répteis mais frequentemente observadas são:

  Cágado-mediterrânico   ( Mauremys leprosa)  
  Lagartixa-do-mato(Psammodromus algirus )  
  Lagartixa-ibérica  ( Podarcis hispanica )  
  Lagartixa-do-mato-ibérica  ( Psammodromus hispanicus )  
  Lagarto-de-água  ( Lacerta schreiberi )  
  Sardão  ( Lacerta lepida )  
  Osga-comum  ( Tarentola mauritanica )  
  Cobra-cega  ( Blanus cinereus )  
  Licranço  ( Anguis fragilis )  
  Cobra-de-água-de-colar  ( Natrix natrix)  
  Cobra-de-água-viperina  ( Natrix maura)  
  Cobra-de-escada  ( Elaphe scalaris)  
  Cobra-de-pernas-pentadáctila  ( Chalcides bedriagai)  
  Cobra-de-pernas-tridáctila  ( Chalcides striatus)  
  Cobra-lisa-bordalesa  ( Coronella girondica)  
  Cobra-lisa-europeia  ( Coronella austriaca)  
  Cobra-rateira  ( Malpolon monspessulanus)  
  Víbora-cornuda  ( Vipera latastei)  
     
 BIBLIOGRAFIA
 Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Almeida, F.F.
2001. Guia FAPAS dos anfíbios e répteis de Portugal. - Porto: FAPAS e Câm. Mun.Porto, 249 pp.
 Arnold, E.N., Burton, J.A.& Ovenden, D.W., 1987. Guía de campo de los Reptiles y
Anfíbios de España y de Europa – Barcelona: Ediciones Omega S.A., 275 pp.
 Barbadillo, L.J., Lacomba, J.I., Pérez-Mellado, V., Sancho, V. & López-Jurado, L.F.
1999. Guía de campo de los anfibios y reptiles de la Península Ibérica, Baleares y Canárias. – Barcelona: Editorial GeoPlaneta S.A., 419 pp.
 Lanka, V. & Vít, Z. (1991). Anfíbios y Reptiles. Susaeta, Madrid, 224 pp
 Pleguezuelos, J.M., Márquez. R. & Lizana, M., 2002. Atlas y Libro Rojo de los anfibios y reptiles de España. Madrid: Dirección General de Conservación de la Naturaleza e Asociación Herpetológica Española, 587 pp

 
  © Todos os direitos reservados  | Os Anfíbios | | A Herpetofauna do Azibo |