Sobreirais, Azinhais e Carvalhais

 

A floresta que ocorre na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo é rica, diversificada e dominada por Quercíneas autóctones que imprimem à paisagem um carácter notável e singular. O sobreiro, Quercus suber e a azinheira, Quercus rotundifolia, Quercíneas de folha persistente, são as árvores mais representadas e tanto ocorrem na forma de bosques densos e pouco intervencionados pelo Homem, como em maciços esparsos e moldados pela acção humana (montados de sobro e azinho). Todos eles apresentam um enorme valor ecológico, económico e social, sendo considerados dos mais bem conservados no norte de Portugal.

O carvalho-negral, Quercus pyrenaica e o carvalho-cerquinho, Quercus faginea, são os representantes de folha caduca e conferem à paisagem uma riqueza acrescida de matizes primaveris e outonais. O carvalho-negral surge nas zonas de maior continentalidade a ladear campos agrícolas que rapidamente ocupa quando estes são abandonados. Quando a presença de solos ultrabásicos não permite o avanço do sobreiro, o espaço é ocupado pelo carvalho-cerquinho. Os bosques que daqui resultam, densos e bem conservados, são um tipo de formação arbórea singular e relativamente rara e, por isso, com grande valor em termos de conservação da natureza.

A legislação portuguesa condiciona as acções que possam provocar a destruição ou delapidação destes ecossistemas florestais. Na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo quer os cortes, arranques e podas em sobreiros ou azinheiras, quer o abate de carvalhais, carecem de autorização da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros (Decreto-Lei nº 169/2001 de 25 de Maio e Decreto Regulamentar nº 13/99 de 3 de Agosto).

Entre os mamíferos que utilizam estes bosques como locais de refúgio e alimentação, encontram-se espécies raras e protegidas como o lobo Canis lupus e o gato-bravo Felis silvestris, e outras mais comuns como a gineta Genetta genetta e o esquilo Sciurus vulgaris.

Com frequência, pairam sobre estes bosques aves de rapina como o milhafre-preto Milvus migrans e a águia-calçada Hieraaetus pennatus e, ocasionalmente, observam-se raridades como o milhano Milvus milvus ou a águia-real Aquila chrysaetus. O interior dos bosques é o habitat privilegiado de chapins, pica-paus-malhados e ágeis trepadeiras, assim como de outros passeriformes com populações reduzidas em Portugal como a petinha-das-árvores Anthus trivialis e o papa-moscas-cinzento Muscicapa sriata.

Associadas a estes bosques ocorrem também inúmeras plantas, muitas delas com elevado valor de conservação. Nos azinhais e sobreirais, a gilbardeira Ruscus aculeatus e o narciso Narcissus triandrus, ambos incluídos na Directiva Habitats, partilham o habitat com o trovisco Dapnhe gnidium e a vistosa rosa-albardeira Paeonia broteri, enquanto nos carvalhais surgem belas e raras orquídeas como a Dactylorhiza sambucina ou a Limodorum abortivum.

Os macrofungos, cujas estruturas reprodutoras são conhecidas por cogumelos, são outro fascinante grupo de seres vivos que aqui ocorre. Espécies como o amanita-dos-césares Amanita caesarea e a trombeta-dos-mortos Cratarellus cornocupioides, que devido ao seu elevado valor gastronómico e colheita excessiva estão a sofrer reduções preocupantes nas suas populações sendo protegidas em diversos países da Europa, partilham o chão do bosque com outros belos fungos como o amanita-pantera Amanita pantherina e a ramária Ramaria stricta.

   

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