Milhafre-real

Nome Científico:

        Milvus milvus

Biometria:

Comprimento: 60 a 66 cm

Envergadura: 145 a 165 cm

Peso:

Fêmea: 950 a 1300 g

Macho: 750 a 1050 g

Longevidade: 26 anos

Distribuição:

Espécie selvagem presente

em Portugal.

Ocorrência:

Residente, nidificante.

Espécie protegida

Identificação: O Milhafre-real exibe uma plumagem de tons castanhos arruivados, com a cabeça em tons de cinzento claro, corpo esguio, asas compridas e largas, e a cauda profundamente bifurcada. O peito e o abdómen são finamente listrados de negro. A base do bico e as patas são de coloração amarela. A fêmea é ligeiramente mais clara. Possui uma excelente visão, cerca de oito vezes superior à do homem.

          Voz: Geralmente silencioso. Emite em voo um chamamento agudo típico, um miado fino e aflautado. 

        Habitat: Regiões montanhosas e planícies, florestas, com grandes árvores, perto de lagos e com áreas descampadas, e campos de cultivo. 

        Comportamentos: As comunidades do sul da Europa são sedentárias, enquanto que as do norte são migradoras, podendo mesmo chegar a invernar no norte de África. A maioria das vezes captura as suas presas em terreno aberto em voos rasantes ao solo. Outras vezes encontra-se pousado numa árvore, onde descansa por longos períodos, ou é observado no ar de asas imóveis vigiando uma presa mesmo por baixo de si.

        Voo: Voo flutuante e calmo, com movimentos constantes da cauda, que lhe permite corrigir ou mudar a direcção, consoante as correntes térmicas. Voa em largos círculos tanto na montanha como na planície. Batimento lento mas possante das asas. O seu vôo é fortemente condicionado pelas condições climatéricas, preferindo o céu limpo e o tempo quente, ao céu nebuloso e à chuva.

        Nidificação: No fim de Março, principio de Abril, começam as suas paradas nupciais em voo. Por vezes, macho e fêmea “embaranham-se” um no outro pelas patas, tombando em seguida em queda livre de asas abertas até à copa das árvores. O casal unido para toda a vida constrói todos os anos um novo ninho, que geralmente se situa a 12 ou 15 metros de altura no cimo de uma árvore. Existem casos em que são reconstruídos ninhos velhos de rapina ou de corvídeos. O ninho chega a ser muito volumoso, e é constituído de ramos secos com cerca de 30 a 50 cm, e o interior forrado com folhas secas. Dois ou três dias antes da postura o interior é também forrado com lã de ovelha. É comum encontrarem-se objectos plásticos, trapos e papeis nos ninhos. A manutenção do ninho é um acto contínuo, mesmo durante a postura, e crescimento dos juvenis. A fêmea deposita 1 (muito raro) a 4 ovos com 3 dias de intervalo entre cada um. A incubação começa imediatamente a seguir à postura do primeiro ovo, que é assegurada pela fêmea. O macho pode ocasionalmente substitui-la nesta tarefa, mas só por um curto período de tempo, não superior a 30 ou 40 minutos. A incubação dura, em média, 31 a 32 dias para cada ovo. As crias conservam a sua penugem de nascença durante 14 dias. Ao mês de idade a sua plumagem está já praticamente formada, e são já capazes de comer directamente as presas que os progenitores lhes trazem. O seu primeiro vôo é efectado apartir dos 45 a 50 dias de idade. O mesmo território de nificação é utilizado ano após ano numa área de cerca de 10 km de diâmetro.

        Dieta: Possui uma dieta muito variada. Oportunista, têm a capacidade de se adaptar às condições locais. A sua excelente visão permite-lhe detectar de imediato qualquer carcaça abandonada. É especializado em capturar presas no solo. Assim, roedores, lagartos, batráquios, e peixes fazem parte da sua dieta. Crê-se que 50% da sua alimentação seja composta de invertebrados. 

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