O Texugo

Nome Científico:

        Meles meles

Biometria:

Comprimento:

Cabeça-Corpo: 68 a 80 cm

Cauda: 11 a 19 cm;

Peso: 10 a 12 Kg

Longevidade: 10 anos

Distribuição:

Espécie Selvagem

presente em Portugal

Estatuto:

Não Ameaçada

Identificação: Animal corpulento de tamanho médio, corpo fusiforme, membros baixos, cauda muito curta, cabeça triangular e pouco diferenciada do corpo. Apresenta como característica inconfundível a presença de duas listas negras, que atravessam longitudinalmente a cabeça branca, desde as orelhas, até à ponta do focinho pontiagudo. A restante pelagem é espessa e de cor cinzenta, à excepção das extremidades, que são pretas. Nas patas anteriores são visíveis as potentes garras que utiliza para escavar. Podem ocorrer animais albinos, melânicos e outros com cor avermelhada.

Habitat: O texugo habita paisagens heterogéneas com bosques (onde encontra refúgio) e zonas de pastagens ou terrenos cultivados (onde procura alimento). Habita florestas caducifólias e mistas, matos, terrenos agrícolas e margens de ribeiros.

        Comportamentos: Animal de hábitos essencialmente nocturnos, inicia a sua actividade logo após o pôr-do-sol. Pode passar até 10 horas fora da toca, procurando comida sozinho, percorrendo longas distâncias durante a noite e regressando pouco antes do amanhecer. Os texugos são animais muito sociáveis, podendo formar grupos de 3 a 12 indivíduos, embora nos países do Mediterrâneo formem grupos familiares mais pequenos, constituídos pelos machos, fêmeas e crias. Os grupos sociais, que, de um modo geral, possuem mais fêmeas do que machos, repousam durante o dia em redes de galerias subterrâneas. Estas têm uma ou várias entradas escavadas por eles, as texugueiras. Existe uma texugueira principal, onde se concentra toda a actividade do grupo, que pode ter várias dezenas de metros. Os texugos, antes de saírem cautelosamente das tocas, analisam o meio envolvente através do olfacto extremamente desenvolvido. É comum catarem-se e limparem-se mutuamente dentro do grupo. Também se marcam uns aos outros esfregando a região anal num dos flancos de outro indivíduo. Ficam junto às tocas, onde efectuam pequenas brincadeiras, para que as crias aprendam técnicas de caça e fuga aos inimigos. As texugueiras podem ser “herdadas” durante várias gerações. Esta é uma espécie, que embora não hiberne pode passar, nas alturas mais frias do Inverno, dias seguidos sem sair da toca, sobrevivendo das reservas de gordura acumuladas no corpo.

        Reprodução: O texugo é um animal poligâmico cujo acasalamento pode ocorrer em qualquer mês do ano, embora seja mais comum na Primavera e Verão. Os casais reprodutores mantêm-se juntos todo o ano e têm uma ninhada por ano, com 2 a 3 crias. Estas nascem entre Janeiro e Abril e permanecem na toca até terem 8 semanas, estando dependentes da progenitora até ao primeiro Inverno. Nos texugos, ocorre o fenómeno de implantação retardada - o ovo fecundado é guardado, podendo a implantação no útero ocorrer vários meses depois da fecundação, sendo a fêmea novamente fertilizada pouco tempo depois do parto, ocorrendo nova gestação no ano seguinte. O desenvolvimento do embrião pode ser interrompido durante cerca de 10 meses, até as condições ambientais serem apropriadas para a sua implantação no útero. Deste modo, as crias nascem numa época rica em recursos alimentares. Os machos atingem a maturidade sexual entre 1 e 2 anos e as fêmeas entre 1 ano e 15 meses.

        Dieta: Embora a dentição seja característica de um carnívoro, o texugo é um animal omnívoro e oportunista. Alimenta-se sobretudo de frutos, bolbos, raízes, cereais e invertebrados (insectos e minhocas). Ocasionalmente, alimenta-se de pequenos vertebrados, como ratos, musaranhos, aves, anfíbios e répteis. Durante o Inverno e a Primavera, tende a ser carnívoro e no Verão consome com maior frequência frutos e vegetais.

        Factores de Ameaça: Os principais factores de ameaça estão relacionadas com as acções do Homem, tais como a fragmentação do habitat (construção de vias rodoviárias), a desflorestação e a perseguição, através da caça furtiva, ou do envenenamento acidental ou propositado. O tráfego rodoviário tem um forte impacto nesta espécie, sendo o atropelamento a principal causa de morte dos texugos. Os predadores naturais são a raposa, o gato-bravo, a gineta e as aves de rapina nocturnas e diurnas. Esta é uma espécie cuja longevidade média é de 2 anos, já que apenas 50% das crias sobrevive ao 1º ano de vida e a mortalidade média nos machos (mais elevada que nas fêmeas) é de cerca de 30%.

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