
O Ouriço-cacheiro
Erinaceus europaeus
Comprimento:
22,5 a 27,5cm
Cauda: 2 cm
Peso: 400 a 1200 g
Longevidade: 5 anos
Espécie selvagem
presente em Portugal.
Não ameaçada
Identificação: O maior dos insectívoros da fauna portuguesa e o único mamífero que apresenta o corpo protegido por espinhos. O seu corpo maciço está coberto por cerca de 6000 espinhos longos e aguçados, que apresentam anéis escuros e claros, conferindo diferentes tonalidades ao ouriço. Apresenta patas curtas, focinho pontiagudo e orelhas pequenas. O ventre, castanho-acinzentado, não possui espinhos e está coberto de pêlos.
Habitat: Presente em habitats muito diversificados, como zonas de cultivo, jardins, bosques, prados e áreas onde o estrato herbáceo seja abundante. Utiliza tocas abandonadas de coelhos, troncos de árvores, fendas em rochas como ninhos para o nascimento das crias ou para o período de hibernação.
Sinais de Presença: Os dejectos longos e estreitos são bem visíveis no terreno, apresentando uma cor negra e restos de insectos. As dimensões e o tipo de pegada são também característicos nos trilhos que deixa na vegetação.
Comportamentos: Actividade nocturna ou crepuscular, podendo ser observado nas últimas horas do dia e ao amanhecer. É solitário e territorial, (os territórios dos macho é superior ao da fêmea). Durante a noite, pode percorrer distâncias entre um e três quilómetros. Quando se sente ameaçado, o ouriço enrola-se sobre si próprio, parecendo uma “bola de espinhos”, de modo a esconder as suas pequenas patas e as áreas mais desprotegidas. Este mamífero hiberna quando os recursos alimentares diminuem e a descida da temperatura torna incomportável a manutenção da temperatura do corpo. Em Portugal, este comportamento verifica-se apenas nos indivíduos que vivem em zonas de maior altitude. Antes de hibernar, os ouriços têm que engordar bastante para sobreviverem durante o período de hibernação, em que a sua temperatura desce, o ritmo cardíaco diminui bastante e o funcionamento dos órgãos internos é reduzido.
Reprodução: A maioria dos acasalamentos ocorre no final do Inverno e Outono. As fêmeas podem ter 2 ninhadas por ano, cada uma com 4 a 6 crias, que nascem após um período de gestação de 12 a 13 semanas. As crias nascem sem espinhos, mas, ao fim de poucas horas, despontam os primeiros espinhos, que, passados poucos dias, se tornam escuros. As crias estão a cargo da fêmea e abandonam o ninho com 22 dias, sendo desmamadas após 4-6 semanas. Atingem a maturidade sexual ao fim de um ano.
Dieta: Insectívoro, tem como base da sua dieta vários invertebrados (insectos, minhocas, larvas, caracóis) embora também se alimente de ovos, pequenos vertebrados (anfíbios) frutos e sementes.
Factores de Ameaça: A mortalidade das crias, ao longo do primeiro ano, ronda os 60-70%, em parte devido às crias (principalmente as da segunda ninhada) não atingirem o peso necessário para sobreviver à hibernação. Embora a cobertura espinhosa seja uma protecção eficaz contra os predadores, o ouriço, por vezes, é capturado por raposas, texugos, cães e rapinas nocturnas. O seu inimigo principal é o Homem, pois os atropelamentos na estrada constituem um importante factor de mortalidade desta espécie, assim como a utilização de pesticidas, herbicidas e a redução do seu habitat.