
A Fuinha
Martes foina
Comprimento:
Cabeça-Corpo: 42 a 48 cm
Cauda: 26 cm;
Peso:
Fêmea: 900 a 1400 g
Macho: 1100 a 2500 g
Longevidade: 10 anos
Espécie Selvagem
presente em Portugal
Espécie protegida
Identificação: Pequeno carnívoro, com corpo alongado, membros baixos, cauda comprida e espessa. A cabeça da fuinha é larga e mais clara que o resto do corpo, as orelhas são salientes e arredondadas e o focinho é afilado. A pelagem apresenta coloração castanha (por vezes arruivada) e possui uma mancha peitoral de cor clara (de branco a creme), que se estende desde a garganta até à zona inicial das patas anteriores e se divide em duas, por uma lista escura longitudinal. As patas são mais escuras que o resto do corpo. Esta espécie é muito semelhante à Marta (Martes martes), sendo necessária muita atenção para as distinguir.
Habitat: Tem preferência por regiões arborizadas ou rochosas, evitando terrenos baixos, abertos ou com poucas árvores. Nas zonas do Norte da Europa, está mais ligada a áreas habitadas pelo Homem do que no Sul, sendo até bastante comum em vilas e cidades. Esta situação poderá estar relacionada com o facto de, nesses locais, outro mustelídeo, a marta, estar bem representada e ocupar os habitats selvagens. Em Portugal, também pode viver em associação com o Homem, procurando refúgio nos estábulos, celeiros e sótãos existentes em ambientes rurais.
Comportamentos: Espécie com actividade crepuscular e nocturna, embora, em zonas onde é abundante, seja possível observá-la durante o dia. Desloca-se aos saltos no solo e é boa trepadora. O contacto vocal é muito intenso entre a progenitora e os juvenis. A fuinha é geralmente solitária, embora as que vivem em vilas possam andar em grupos de 4 a 5 animais. É territorialista, defendendo o seu território de caça, que percorre pelos mesmos trilhos, em busca de alimento. Dentro do seu território, dispõe de vários refúgios que podem ser cavidades em árvores ocas, montículos de pedras ou construções humanas pouco frequentadas, como estábulos, celeiros e sótãos. Não tem por hábito escavar a sua toca no solo.
Reprodução: Animal poligâmico, cujo acasalamento, apesar de poder ocorrer em qualquer mês do ano, é mais comum de Fevereiro a Maio e entre Julho e Setembro. Tal como outros mustelídeos, possui o fenómeno de implantação retardada, permanecendo o embrião no útero materno um período de 3 a 10 meses, antes de ocorrer a sua implantação. Tem uma ninhada por ano e a verdadeira gestação é de 60 dias, nascendo as crias, geralmente 3 a 4, na Primavera. O desmame ocorre perto das 8 semanas, permanecendo as crias junto da mãe, a única responsável pelos cuidados parentais. Após 8 a 10 semanas aventuram-se fora do refúgio. Durante 2 a 3 semanas, acompanham a mãe, fazendo deslocações progressivamente maiores. Atingem a maturidade sexual aos 2 anos de idade.
Dieta: A dieta da fuinha varia muito, dependendo da disponibilidade de alimentos. É um predador generalista e oportunista, consumindo principalmente pequenos mamíferos (ratos, musaranhos, ratazanas), aves, insectos e ovos. Alimenta-se também de frutos e de todo o tipo de desperdícios deixados pelo Homem. As suas presas são consumidas quase na totalidade e o que sobra é acumulado junto ao seu refúgio, o que permite a sua subsistência quando o alimento é escasso.
Factores de Ameaça: A fuinha não tem praticamente inimigos naturais, embora os juvenis possam ser vítimas de grandes carnívoros e de rapinas diurnas e nocturnas. Deste modo, os principais factores de ameaça para esta espécie são a destruição do seu habitat e a pressão humana. É uma espécie que sofre perseguição ilegal por parte do Homem, principalmente nas zonas de caça, onde é considerada, erradamente, predadora de espécies cinegéticas, sendo capturada em acções de controlo de densidades de predadores. A fuinha é perseguida por ao atacar galinheiros, matar mais presas do que aquelas que necessita. Esta atitude constitui uma reacção ao movimento dos animais existentes nesse espaço. A fragmentação e destruição do habitat ( devido a acções de desflorestação, incêndios) e a morte por atropelamento também são factores de ameaça.