Caracterização dos Anfíbios


        A palavra anfíbio vem do latim anfi (=dupla) e bios (=vida), e significa “dupla vida”; apresentam uma fase larvar geralmente aquática e uma fase posterior adulta claramente terrestre. Apesar desta dependência da água, os anfíbios tiveram êxito na colonização do meio terrestre, encontrando-se, hoje em dia, em diversos habitats (Barbadillo et al., 1999).
        Os anfíbios possuem pele nua e permeável, sendo este órgão um dos principais na respiração, na regulação hídrica e na protecção mecânica e química. A parte superficial da pele dos anfíbios pode ser lisa, como nas rãs e relas e verrugosa, como nos sapos. Esta parte superficial apresenta uma camada de células mortas que se desprendem periodicamente e são substituídas por uma nova camada de células. Esta muda, que é rica em proteínas, é frequentemente ingerida pelos próprios animais (Almeida et al, 2001).
        Existem actualmente três ordens para classificar os anfíbios: ápodes, urodelos e anuros.
        O grupo dos ápodes é o mais primitivo e caracteriza-se pela ausência de patas e cauda. Na Europa esta ordem não está representada, estando confinada às regiões tropicais, onde estão descritas cerca de 165 espécies.

        Os urodelos possuem um corpo esguio, bem diferenciado (cabeça e tronco) e cauda bem desenvolvida e sempre presente nos adultos; apresenta membros anteriores e posteriores de pequeno tamanho o que lhe confere uma locomoção lenta. Os organismos na fase larvar são idênticos aos adultos. Desta ordem, com cerca de 145 espécies, fazem parte os tritões e as salamandras.
 
        Os anuros, por sua vez, apresentam o tronco curto e não têm cauda no estado adulto. Possuem as patas posteriores, adaptadas ao salto, mais compridas e musculosas do que as anteriores. Enquanto larvas apresentam uma cauda bastante desenvolvida e um corpo volumoso (Almeida et al., 2001).
        Nesta ordem incluem-se cerca de 4100 espécies descritas, entre elas as rãs, as relas e os sapos. A maioria dos anfíbios mostra um claro dimorfismo sexual, tanto no tamanho corporal (na maioria das espécies é superior nas fêmeas), como também na presença de sacos vocais nos machos de algumas espécies, nomeadamente nos anuros, ou ainda do desenvolvimento de cristas dorsais (nos machos) em algumas espécies de urodelos (Barbadillo et al., 1999).

        Os anfíbios na sua maioria são ovíparos, à excepção de algumas espécies. Os ovos são protegidos por uma cápsula gelatinosa que lhes permite também as trocas respiratórias com o exterior e a manutenção do equilíbio hídrico. Nos anuros, as larvas respiram por brânquias e sofrem metamorfoses passando por vários estádios até chegar ao adulto, enquanto que nos urodelos as larvas ou juvenis já nascem com a mesma forma dos adultos (Lanka & Vit, 1991). É também de salientar que o tamanho das posturas é extremamente variável e muitas vezes está de acordo com o maior ou menor grau de cuidados parentais para com os ovos ou as larvas (Barbadillo et al., 1999).
        Em Portugal Continental a reprodução ocorre essencialmente com o decorrer das primeiras chuvas e temperaturas amenas, na Primavera e Outono. É nestas alturas que estes grupos de animais realizam migrações até aos locais de reprodução.

        Nos anuros a fecundação é externa e no decorrer do acasalamento o macho liga-se à fêmea pelas axilas (amplexo axilar) ou pela zona lombar (amplexo inguinal), enquanto que nos urodelos a fecundação é interna, ocorre na água após o macho libertar o espermatóforo recolhido depois pela fêmea; este processo é precedido muitas vezes de um cortejamento (Almeida et al., 2001). Quanto à actividade, a maioria dos anfíbios é mais activo no crepúsculo ou à noite, com temperaturas amenas e com humidade, embora também se possam observar algumas espécies durante o dia. Os anfíbios são animais ectotérmicos; a sua temperatura corporal depende da temperatura ambiental (Lanka & Vit, 1991).
        A dieta dos anfíbios é composta normalmente por presas vivas. Alimentam-se de qualquer animal que possam dominar, como por exemplo insectos e suas larvas, pequenos crustáceos, aracnídeos, anelídeos, moluscos e pequenos invertebrados, incluindo larvas da mesma espécie. As espécies de maior tamanho podem também ingerir répteis de pequenas dimensões e micromamíferos. São consumidores oportunistas e a sua dieta reflecte-se na disponibilidade de presas no local onde habitam (Arnold et al., 1987; Almeida et al., 2001). Quanto aos seus predadores, podem ser, desde várias espécies de peixes como a truta-do-rio, passando por répteis como a cobra-de-água e aves como a garça, até alguns mamíferos como a lontra. A espécie introduzida do lagostim-do-Lousiana também pode ser um predador destes organismos.
        Os anfíbios podem recorrer à produção de substâncias tóxicas (associadas a indivíduos com cores chamativas), à fuga ou ao mimetismo e ainda a comportamentos intimidatórios como inchar ou emitir sons de alerta (Almeida et al., 2001). Em Portugal existem apenas duas das três ordens, os urodelos e os anuros distribuídos por 32 famílias, 9 de urodelos, das quais só a família Salamandridae existe em território nacional e as restantes 23 famílias de anuros, das quais somente 6 estão presentes em Portugal Continental: Discoglossidae, Pelobatidae, Pelodytidae, Bufonidae, Hylidae e Ranidae (Almeida et al., 2001).

     Na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo as espécies de anfíbios mais frequentemente observadas são:

Sapos

Sapo-comum  ( Bufo bufo )  
  Sapo-corredor  ( Bufo calamita )  
  Sapo-de-unha-negra  ( Pelobates cultripes )  
  Sapo-parteiro-ibérico  ( Alytes cisternasii )  
  Sapo-parteiro  ( Alytes obstetricans )  
     

Rãs

   
  Rã-ibérica  ( Rana iberica )  
  Rã-verde  ( Rana perezi )  
  Rela  ( Hyla arborea )  
     

Salamandras

   
  Salamandra ( Salamandra salamandra )  
  Tritão-marmorado  ( Triturus marmoratus )  
  Tritão-de-ventre-laranja( Triturus boscai )  
 BIBLIOGRAFIA
 Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Almeida, F.F.
2001. Guia FAPAS dos anfíbios e répteis de Portugal. - Porto: FAPAS e Câm. Mun.Porto, 249 pp.
 Arnold, E.N., Burton, J.A.& Ovenden, D.W., 1987. Guía de campo de los Reptiles y
Anfíbios de España y de Europa – Barcelona: Ediciones Omega S.A., 275 pp.
 Barbadillo, L.J., Lacomba, J.I., Pérez-Mellado, V., Sancho, V. & López-Jurado, L.F.
1999. Guía de campo de los anfibios y reptiles de la Península Ibérica, Baleares y Canárias. – Barcelona: Editorial GeoPlaneta S.A., 419 pp.
 Lanka, V. & Vít, Z. (1991). Anfíbios y Reptiles. Susaeta, Madrid, 224 pp
 Pleguezuelos, J.M., Márquez. R. & Lizana, M., 2002. Atlas y Libro Rojo de los anfibios y reptiles de España. Madrid: Dirección General de Conservación de la Naturaleza e Asociación Herpetológica Española, 587 pp

  © Todos os direitos reservados  | Os Répteis | | A Herpetofauna do Azibo |