
I Jornadas Ibéricas de Recuperação de Aldeias Abandonadas
APRESENTAÇÃO A aldeia não é apenas um espaço físico. É sobretudo um espaço social que revela um modo de vida singular, um sistema ecológico de vida. Na Sociedade que conhecemos observamos os resultados de fortes convulsões sociais, politicas, económicas e tecnológicas que tiveram lugar principalmente na segunda metade do século passado. O resultado é um Rural sem território, aldeias que já não são aldeias onde já não se distingue o rural do urbano, devido a conformações sociais e económicas difusas e a uma uniformização das pautas de comportamento causadas por uma interdependência cada vez maior do sistema económico global. A cultura tradicional dissolveu-se na cultura hegemónica global.
A ideia de uma aldeia como uma comunidade pequena, isolada, homogénea, com forte sentido de solidariedade de grupo, é hoje apenas um mito. Algumas aldeias urbanizam-se, outras despovoam-se e outras agonizam devido ao que se denomina efeito-idade. Efectivamente, muitos dos habitantes das aldeias do interior português tem cinquenta ou mais anos e grande parte não tem descendentes que queiram viver nas mesmas.
A grande questão transversal a esta proposta de Jornadas, é a tentativa de desvelar um futuro para estas estruturas abandonadas ou semi-abandonadas constituintes da paisagem rural ibérica. Um futuro que evite uma certa romantização nostálgica do modo de vida rural, tendo presente a complexidade do modo de vida moderno com as dimensões negativas e positivas inerentes. Apesar do rural estar muito conotado com o agrário assistimos actualmente a uma nova transformação da sociedade rural, certas migrações da cidade ao campo que contribuem para diversificar as bases socioculturais e os centros de interesse. Mas será possível viver de forma ecológica nestes espaços em pleno século XXI? Será possível desenvolver de novo uma sociabilidade comunitária, um modo de estar no mundo colectivo, muito especifico e particular? Poderemos retomar a multidisciplinaridade dos habitantes das aldeias de antigamente, gente que eram verdadeiros artesãos, artistas capazes de realizar com perícia múltiplas actividades, gente cheia de engenho e imaginação face a unidimensionalidade do trabalhador dos nossos dias, que não sabe fazer mais que uma ou talvez duas coisas?
Programa
Dia 22 Setembro
Local: Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros (sala de Conferências)
21h Chegada dos participantes
22h Projecção do documentário
"Visions of Utopia: Experiments in Sustainable Culture" de Geoph Kozeny
Dia 23 Setembro
Local: Núcleo Central da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, Salselas
9h Sessão de abertura com representantes de instituições locais
9h30m Os assentamentos em Macedo de Cavaleiros através dos tempos.
Dr. Carlos Alberto Santos Mendes (Arqueólogo)
10h30min
Projecto de recuperação de uma aldeia abandonada: o caso de Drave Tânia
Borges (Arquitecta)
Pausa para café
11h30min
Aldeias com futuro: Mosteiro da Ribeira, um caso de estudo
Sandra Silva (Arquitecta)
12h 30m Almoço
14h 30m
O programa de recuperação de aldeias abandonadas na reserva da biosfera da
Serra de Rincón (Espanha)
Francisco Cantó, Fundación para la Investigación y Desarrollo Ambiental
(FIDA)
16h
Programa da Rede de Aldeias do Xisto
17h Pausa para lanche
17h30min
Um Rural para Viver e outro para Visitar
20h Jantar
21h Sessão da memória: aldeões de toda a vida evocam a riqueza cultural do
seu modo de vida através de contos, histórias e canções.•
Dia 24 Setembro
Local: Aldeia abandonada de Banreses
10h
Mesa Redonda - Debate sobre os novos movimentos de ocupação rural
(Membros da Rede Ibérica de Ecoaldeias)
12h
Visita interpretativa na aldeia abandonada de Banreses, com explicação sobre
o processo de abandono
Dr. Manuel Cardoso, Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros
13h Almoço campestre
15h Visita guiada ao Museu Rural de Salselas.
17h.30 Encerramento.